Velhice e abandono


Sabe quando agente ganha um presente valiosíssimo, que muito nos alegra e, em seguida nos preocupamos por não ter onde guardar? Essa a metáfora que utilizo para falar desse grande presente com o qual todos fomos agraciados, que é o aumento da expectativa de vida.

Que maravilha! Vamos ter mais tempo dessa vida que tanto queremos viver.

Será que estamos preparados para receber esse presente?

Segundo o site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o IBGE apontou que, em 2023 a expectativa de vida subiu para 76,4 anos.

A ONU prevê para 2050, aproximadamente, dois bilhões de pessoas com mais de 60 anos, ultrapassando o número de adolescentes e crianças menores de 14 anos.

Assim, com o crescimento da expectativa de vida, crescem os desafios e, como indicam os registros do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, infelizmente crescem também os casos de abandono de idosos que, se caracteriza quando, seja por negligência ou por falta de condições, a pessoa idosa é deixada no hospital, em instituições ou até mesmo nas ruas durante dias, semanas, meses ou definitivamente.

Existem muitas questões envolvidas nesse abandono, quando diz respeito a família. Cuidar de um idoso adoecido, exige por demais do cuidador que, normalmente, se esgota, por não ter com quem contar e por não ter condições de contratar um cuidador. Geralmente, adoecem, chegando em alguns casos a falecer antes do idoso.

Em relação ao financeiro, o custo com a saúde, alimentação e bem estar do idoso não pode ser suprido pela família, que também, enfrenta dificuldades. E nós sabemos que, embora existam programas que contemplam os idosos, em suas necessidades básicas, não contemplam por inteiro. E se acrescente o fato de que, os familiares precisam trabalhar para sua manutenção, o que dificulta uma dedicação maior ao familiar idoso.

Muitos abandonos de idosos, são praticados pelos próprios filhos que não querem se ocupar com essa fase difícil dos pais ou porque os vínculos familiares não foram cultivados, no passado, pelos idosos, fazendo com que os filhos se neguem a assistí-los nessa fase.

O abandono de idosos se dá não apenas por parte dos familiares, mas também da comunidade e do estado, quando ele não é capaz de promover a assistência adequada para a manutenção das condições mínimas para o convívio desses idosos com seus grupos.

O abandono de idosos se dá não apenas por parte dos familiares, mas também da comunidade e do estado, quando ele (o estado) não é capaz de promover a assistência adequada para a manutenção das condições mínimas para o convívio desses idosos com seus grupos.

 

A política nacional de saúde do idoso tem como diretriz:

        Envelhecimento ativo e saudável;

        Atenção integral e integrada à saúde da pessoa idosa.

        Estímulo às ações intersetoriais;

        Fortalecimento do controle social;

        Garantia de recursos orçamentários; e.

        Incentivo a estudos e pesquisas.

Tem muito idoso morrendo em total desassistência, apesar do muito que já está sendo ofertado à sociedade.

As Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) são instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinadas ao domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar e em condições de liberdade, dignidade e cidadania, precisam ser criadas e ampliadas, para suprir essa demanda.

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/saloes-tatuagens-creches/instituicoes-de-longa-permanencia-para-idosos#:~:text=As%20ILPIs%20s%C3%A3o%20institui%C3%A7%C3%B5es%20governamentais,%2D19%20em%20ILPI%20(2020)

Em junho de 2023, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania divulgou que as denúncias de abandono de idosos (por seus familiares), registraram um aumento de 855% entre janeiro e maio em comparação ao mesmo período de 2022. Foram quase 20 mil registros de abandono ao longo de cinco meses em 2023, contra 2.092 casos registrados no ano anterior.

Se, por um lado, a longevidade pode ser observada como uma conquista decorrente de melhores condições de saúde e dos avanços da medicina, por outro ela traz grandes desafios, principalmente no que diz respeito à proteção dessa população, que muitas vezes se torna total ou parcialmente dependente com o passar dos anos.

O aumento da expectativa de vida no Brasil tem consequências sociais:

Com a inversão da pirâmide, surge a necessidade de políticas públicas para atender às necessidades de uma população mais idosa. A política que aí se encontra não vai dar conta.

Consequências econômicas 

Governos, vão precisar investir em saúde, educação, emprego e previdência.

Consequências de saúde 

Criar políticas de saúde para tratar doenças crônicas e deficiências que surgem com o envelhecimento; ambientes especializados para tratar doenças crônicas e deficiências.

A participação popular nas questões que dizem respeito aos idosos, questões que dizem respeito ao nosso futuro, precisam ser promovidas por meio de campanhas, palestras, materiais informativos e conselhos de idosos. 

Campanhas e palestras para sensibilizar a população sobre os direitos dos idosos; criar uma cultura de respeito e cuidado com os idosos.

Conselhos de idosos 

Representar os idosos em decisões que os afetam; promover a participação popular na formulação de políticas públicas

A participação popular na formulação de políticas públicas é a atuação da sociedade para influenciar a criação, execução, avaliação e fiscalização de políticas públicas que irão preparar o Brasil para esse futuro, que já se faz presente em nossas vidas. 

Segundo o site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o IBGE apontou que, em 2023 a expectativa de vida subiu para 76,4 anos.

A ONU prevê para 2050, aproximadamente, dois bilhões de pessoas com mais de 60 anos, ultrapassando o número de adolescentes e crianças menores de 14 anos.

Estamos preparados para viver em plenitude esse presente maravilhoso de podermos viver mais?

Os governantes estão atentos a esse momento?

 

Dora Rodrigues

14 de abril de 2025




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