Etarismo aplicado a pessoa idosa
"Etarismo é o preconceito contra pessoas por causa de sua idade. Esse preconceito afeta pessoas jovens, mas é muito mais comum contra pessoas idosas”.
O etarismo pode se manifestar por meio de violência
psicológica, verbal ou física. É considerado um preconceito silencioso, porque
está difundido em nossa sociedade e se manifesta por meios que podem ser
bastante sutis. Pode ser encontrado, por exemplo, nas relações familiares, no
mercado de trabalho e em diversos outros locais. https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/etarismo.htm
Quantos filmes assistimos, ou ouvimos na infância, histórias
em que a bruxa má era sempre representada por uma velha ou o velho do saco,
história contada para assustar crianças. Forma sutil de difundir o etarismo.
Segundo a dra Becca Levy, em seu livro – A coragem de
envelhecer, em março de 1969, Robert Butler diretor do Comitê Consultivo sobre
Envelhecimento local, utilizou o termo etarismo, pela primeira vez, em uma
entrevista, quando falava a respeito da intensa hostilidade dos moradores de um
subúrbio de Washington. Butler levou ate eles uma proposta de transformação de
um prédio de apartamentos próximo num lar para idoso e disse que os moradores retorciam as mãos de
aflição achando que o bairro nunca mais seria o mesmo. “Não queriam olhar para
pessoas que podiam estar paralisadas, que não conseguiam comer bem, que
poderiam sentar no meio-fio e encher a vizinhança de bengalas“.
Esse registro aconteceu há 54 anos. No Brasil, dia 10 de
março de 2023, viralizou um vídeo no qual três calouras do curso de
biomedicina debochavam de outra de 45 anos. Uma das jovens pergunta: como fazer
para "desmatricular“? A colega responde: "Ela tem 40 anos já.“
"Era para estar aposentada“. A outra aluna comenta: "Gente, 40 anos
não pode mais fazer faculdade".
Como será que essas jovens tratam os idosos da família e os que
encontram pelo caminho?
Quem pode determinar a idade de alguém que escolhe uma
carreira e vai em busca de seus objetivos?
Andrea Tenuta, especialista em Diversidade, Equidade e
Inclusão (DEI) na Maturi, empresa que atua no mercado da longevidade, explica
que o etarismo se estrutura em três pilares: estereótipo (como nós pensamos),
preconceito (como nós sentimos) e discriminação (como nós agimos). (Esses Três
pilares, estão presentes na atitude das jovens que acabamos de comentar).
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS),
60% dos idosos, em 57 países, afirmam ter sido afetados por esse preconceito.
Vale lembrar que o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) prevê
pena de reclusão de 6 meses a 1 ano e multa para quem discriminar pessoa
idosa.
Sempre sonhei me graduar, mas não pude quando jovem. Iniciei
minha família muito cedo e, por aquele tempo, quem quisesse se graduar, teria
que ir para outra cidade e eu não tinha como abandonar a família e o trabalho.
Quem iria me manter lá fora? Passados os anos, começaram os cursos de
graduações diversas em nossa cidade e também no formato online. Mas existia um
forte impedimento, parei de estudar no fundamental e não me via com motivação
para voltar à escola e concluir as séries necessárias. As minhas filhas me
disseram ser possível, se eu fizesse o Enem. Eu havia parado de estudar há 35
anos. Quase desisti de fazer, em cima da hora. Fiz, passei em quase todas as
matérias, menos em matemática. Muita coisa, eu não havia estudado. Novamente,
minhas filhas me disseram pra fazer o Premen, me matriculei, paguei um
professor particular, pra me ensinar uma tal de trigonometria, que me deu
muitas dores de cabeça, mas não desisti. Foi aí que decidi tornar possível meu
sonho. Me matriculei no curso de serviço social, que concluí aos 67 anos. E já
estou fazendo pós graduação em Envelhecimento Humano. E quando falo isso, não é
querendo aplausos, mas sim, incentivar e dizer, como disse o Cristo: Tudo é
possível àquele que crê. Não nos intimidemos com essas falas preconceituosas,
sigamos em frente!
Diz Andrea Tenuta, na matéria - Desafiando o etarismo: como
a colaboração entre gerações pode transformar o mercado de trabalho https://tst.jus.br/-/desafiando-o-etarismo-como-a-colabora%C3%A7%C3%A3o-entre-gera%C3%A7%C3%B5es-pode-transformar-o-mercado-de-trabalho
que o Brasil vive uma revolução demográfica, "Estamos envelhecendo em um
ritmo acelerado. O que a França demorou 120 anos para envelhecer, nós estamos
envelhecendo em 20 anos“.
Também no site https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2023-06/etarismo-dificulta-insercao-de-maiores-de-50-anos-no-mercado
especialista informam que: O envelhecimento da força de trabalho no país é um
desafio que o Brasil terá que enfrentar. Estimativas indicam que até 2040 seis
em cada dez trabalhadores brasileiros terão mais de 45 anos de idade.
E como vai ser? Vamos descartar os mais experientes e contar
com quem?
Segundo Mórris Litvak, fundador da agência Maturi, que
treina profissionais com mais de 50 anos, a dificuldade de inserção no mercado
de trabalho pode partir da própria pessoa, que se considera velha para procurar
emprego. “Existe muito o que a gente chama de autoetarismo, que é a pessoa com
preconceito até com a própria idade, por se achar velha e achar que aprender a
fazer algo é coisa de jovem. O autopreconceito também é um erro porque hoje,
vive-se muito [e a pessoa] não pode se limitar. Pelo contrário, juntar as
experiências pode ser um grande diferencial”. O consultor destacou que o perfil
do profissional com mais de 50 anos é de maturidade e foco no trabalho, além da
experiência de vida. “Normalmente, pessoas com esta idade já têm filhos
criados, têm sua casa e estão trabalhando por propósito e valorizam muito a
oportunidade que têm. É uma grande vantagem e acaba sendo um exemplo para os
mais jovens.”
Especialistas afirmam que a Solidariedade intergeracional
(relações entre gerações) é o caminho. Ou seja, experiente treinando o
inexperiente (Geração Z).
A OMS orienta: Construir um movimento para mudar a
narrativa sobre idade. Governos, organizações da sociedade civil,
instituições acadêmicas, empresas e outros atores sociais devem se unir para
combater o preconceito.
Respeito, reconhecimento, valorização, são palavras de ordem
nesse processo. Seja no lar, na escola, em sociedade, essas narrativas sobre a
idade, precisam ser mudadas.
O Vivenciar Velhice é um movimento que visa mudar a
narrativa sobre idade.
Dora Rodrigues
1º de março de 2025
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