Você sabe o que é envelhescência?
É um período pelo qual passamos de forma desapercebida. O período da infância, da adolescência e fase adulta são acompanhados com muita atenção, por se revelarem desafiadores. Existem muitas pesquisas, muito estudo para ajudar os pais a conduzir seus filhos nessa jornada. No entanto, a partir da fase adulta, uma transição não menos importante se inicia em nossas vidas, que é a envelhescência. Fase desafiadora, responsável pela forma como iremos envelhecer, mas que não é vista com a mesma atenção voltada às fases anteriores. Nessa fase, é comum repensarmos a vida, avaliarmos nossos hábitos e comportamentos e, decidirmos que é hora de mudar. Isso quando não gostamos da forma como estamos vivendo, porque se está tudo bem, a vida segue.
As alterações físicas, são inevitáveis. Mesmo com todos os procedimentos ofertados, elas se apresentam, o que pode gerar desconforto e uma busca desenfreada pelo rejuvenescimento. Algumas pessoas se angustiam ao sentir que estão caminhando pra velhice, por medo do que as aguarda. Em nosso país, envelhecer significa ser penalizado; planos de saúde aumentam abusivamente, as empresas passam a demitir, a aposentar. Porque o termo “velho”, na nossa sociedade, tem caráter pejorativo associado à inutilidade. “Isso já está velho, joga fora. Não tem mais utilidade”.
Mas é também uma fase de maior segurança, em que muitos medos foram superados, algumas conquistas foram realizadas. Principalmente no campo da família, onde os filhos seguem sua trajetória, em busca de suas realizações. Pode ocorrer, também, uma certa ansiedade em aproveitar intensamente cada momento. O que antes parecia não ser importante, assume outra conotação. Como se o tempo estivesse encurtando e o receio de que não haja mais tempo, crie essa necessidade de aproveitar cada momento, como se fosse único. É também uma fase em que as questões de saúde ocupam um lugar importante. A busca por exercícios físicos, alimentação saudável, suplementação, tudo para colocar o corpo em condições de responder satisfatoriamente às alterações naturais da idade.
Segundo Flavia Maria de Paula Soares, psicanalista e autora
do livro Envelhescência o trabalho psíquico na velhice, há três tipos de
velhice:
A velhice cronológica que diz respeito ao corpo em declínio
natural no final da vida. Todos viveremos essa fase, a não ser que morramos
jovens. A velhice burocrática que estabelece o tempo da aposentadoria e pensões.
No Brasil, a velhice burocrática começa aos 60 anos. A velhice social que é quando a sociedade
determina o lugar do velho e ele assim assimila. É quando os ambientes são
projetados para pessoas jovens, com horários de programações em que a pessoa
idosa não consegue participar; dificuldade de acesso a determinados locais, vias
públicas, transportes… Naturalmente, a pessoa idosa vai se afastando do
ambiente social, assumindo que não tem mais idade para tal.
No conceito de Berlinck, citado pela autora, [...] a
envelhescência se distingue do envelhecer porque este é considerado, em nossa
sociedade, como um estágio da vida que é desprezível. Os mais velhos são
considerados uma espécie de praga que ataca as contas da previdência social,
encarece o seguro saúde, pesa na vida dos mais jovens. Quando em verdade, os
mais velhos deram sua contribuição à sociedade e contribuíram para que tivessem
uma velhice sem tantos desconfortos. Diz Berlinck que, na envelhescência, ao
contrário, o sujeito se vê na contingência de ter de pensar sua velhice, ou
seja, distingui-la do preconceito e do estigma para que possa ser vivida com um
mínimo de dignidade.
E complementa a autora: A envelhescência é o trabalho
psíquico na velhice, que vai além do processo de envelhecimento. (...) é um
trabalho psíquico necessário para recriar uma experiência, a de viver a
velhice.
A velhice é um fenômeno recente. Temos de nos acostumar com
ela. Segundo o IBGE, até 1980, a expectativa de vida era de 62,5 anos. Em 2023
subiu para 76,4 anos. É um ganho da nossa geração e devemos lutar pelas
melhorias que tornarão essa fase da vida cada vez melhor e mais bem vivida.
Portanto, nada de preconceito. Vamos falar sobre esse
assunto em nossas rodas de conversas, redes sociais, observar como está a
preparação do futuro que nos aguarda, cobrar dos nossos governantes as
melhorias que irão possibilitar uma melhor qualidade de vida para todos nós,
pois esse assunto nos diz respeito.
Pensemos nisso!
Dora Rodrigues
15 de março de 2025
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