A velhice já chegou para você?
Você já visitou um restaurante famoso, se encantou com os pratos ofertados e se deliciou com as iguarias e, no final da noite, se assustou com o valor da conta? Pois é, fazendo uma analogia com a minha vida, o susto foi grande ao perceber que a fatura já estava muito alta, sem que me desse conta. Já era uma pessoa idosa. Como assim? O que é ser uma pessoa idosa? Eu não me sentia assim. Mas já havia recebido a plaquinha – VELHICE - idade avançada, que se segue à idade madura; ancianidade. Conforme informam os dicionários.
A preocupação com a velhice não chegou com a idade e sim, quando passei a conviver com minha mãe, que veio morar comigo e apresentou um quadro de saúde que requeria maiores cuidados e atenção de todos. Até então, ela morava com uma irmã e realizava suas atividades diárias de cuidar da casa. Gostava de ler, escrever, cantar, compunha músicas de cunho religioso e fazia trabalhos manuais. Muito senhora de si. A situação passou a nos preocupar quando ela caiu e quebrou o fêmur. Ela estava sozinha em casa, pois minha irmã estava no trabalho, o que fez com que demorasse a ser socorrida. Precisou ser cirurgiada. Se submeteu ao tratamento pós cirúrgico, e em pouco tempo, estava realizando suas atividades, com pequenas limitações. Foi aí que acendeu o alerta de que ela não estava mais em condições de ficar só. Só que ela não aceitava a companhia de pessoas estranhas em sua casa, nem aceitava mudar para a casa das filhas. Lutava para manter sua autonomia e tínhamos que respeitar. Até que, certo dia, ela entrou num quadro de intenso pavor, sem justificativa, e pediu para sair de casa. Passou, então a morar comigo. A partir de então, o quadro evoluiu para uma perturbação mental diária e noturna, que requereu a assistência médica psiquiátrica e, em pouco tempo ela entrou em total esquecimento de todos nós e de sua vida, sendo diagnosticada com Alzheimer. Hoje, depende dos cuidados de terceiros para toda e qualquer necessidade. A partir desse fato, a velhice passou a fazer parte do meu imaginário e me fez pensar nos dias vindouros. Afinal, eu estava caminhando para essa etapa da vida. Hoje, aos 67 anos, já enquadrada na categoria de pessoa idosa, estou procurando entender esse processo de envelhecimento, que acomete a todos nós, e que não é doença e, sim, processo normal do desenvolvimento humano, mas que acarreta mudanças significativas em nosso organismo físico, psíquico e social. Me fez pensar: será que estou preparada para viver essa etapa da vida, de forma consciente? Que todos vamos morrer um dia, isso é fato, mas quando paramos pra pensar sobre isso?
O que é fato
é que, a velhice nos assusta. E a busca pelo rejuvenescimento, embora sendo
ofertada através de diversos procedimentos, não pode deter essa finitude que
nos aguarda. Nada contra os procedimentos, a questão principal é: o que fazer
para trilhar essa etapa da vida de forma consciente e responsável, com uma
melhor qualidade de vida, apesar da perda de algumas (inúmeras) possibilidades?
Fazendo algumas pesquisas, verifiquei que três pilares principais são sugeridos para o envelhecimento bem sucedido: envelhecer com autonomia (capacidade de governar-se pelos próprios meios: fazer compras, medicar-se, dirigir...); funcionalidade (alimentar-se, vestir-se, fazer sua higiene pessoal) e bem-estar (estado de satisfação física, psicológica e espiritual):
Importante a prática regular de atividade física
Falando de
mim, a atividade física foi algo que sempre relutei em fazer. Foi necessário
vivenciar uma possível limitação, após ser acometida pela Chikungunya,
caracterizada por dores fortes nas articulações, principalmente nas mãos e nos
pés, para buscar uma prática que me possibilitasse retomar o caminho, com
mais segurança. E o pilates se revelou para mim, a atividade perfeita, sem
grandes impactos e que, em pouco tempo me restituiu a mobilidade. E me fez ver
o tempo que negligenciei com minha saúde.
Prevenção de quedas
Quanto a
prevenção de quedas, é importante reconhecer que já não somos tão jovens e que,
precisamos tomar alguns cuidados e fazer algumas mudanças, no ambiente em que
vivemos, para maior segurança e evitar as tão faladas “quedas” que acometem o
idoso, pois algumas quedas podem levar a quadros de dor e sofrimento intensos
e, até mesmo de morte. Para tanto, evitar atividades que envolvam riscos, como
subir em cadeiras, escadas; usar calçados confortáveis e ficar atento por onde
pisa, mesmo dentro de casa, pois os acidentes acontecem com maior frequência
dentro de casa. Estar atento a chão molhado, banheiros sem piso ante
derrapante...
Prevenção e tratamento da depressão
Isolamento
social, perda de amigos e parentes, aposentadoria, perda de independência e
autonomia, doenças físicas que limitam a mobilidade, podem desencadear a
depressão no idoso. Buscar ocupar a mente com atividades prazeirosas: uma
boa música, leitura, trabalhos manuais ou mesmo a tecnologia, participar de
grupos. Fugir do isolamento e não se entregar a pensamentos tristonhos e
saudosos do passado. Quando lembrar, se fixar nas boas lembranças. Procurar
ajuda de amigos, grupos religiosos ou profissionais, quando sentir que não
consegue se ajudar. E acima de tudo, reconhecer que a pessoa idosa pode
ter uma vida ativa, com muitos projetos e ser muito feliz.
E se você ainda não chegou nesse estágio da vida, fique
atento! Velhice no Brasil é considerada, a
partir dos 60 anos. O Brasil se encontra na categoria de envelhecimento
moderado. Isso quer dizer que, as taxas de fecundidade (de nascimentos
diminuiu) e mortalidade estão em queda (a expectativa de vida aumentou), daqui
há 20 anos, a população brasileira será considerada envelhecida. Comecemos a
nos preparar agora, para essa etapa de vida, em que mudanças significativas
acontecerão e não teremos como detê-las.
Comece se perguntando, que tipo de idoso eu quero ser?
Eu quero ser uma idosa com uma vida
ativa, com muitos projetos e ser muito feliz. E esse é mais um
projeto que estou iniciando e quero compartilhar com você que está entrando
nessa importante fase de nossas vidas.
Quero
finalizar a prosa de hoje com o poema de José Couto, a quem peço permissão para
feminilizar o poema.
Um dia
quando for velhinha
Um dia
quando for idosa,
quero poder olhar para trás,
e sentir-me muito orgulhosa,
saber que fiz o que fui capaz.
Quero poder
ter a certeza,
que fui uma mulher direita,
e no intimo da minha natureza,
poder dizer "fui quase perfeita".
Um dia
quando for velhinha,
quero recordar tudo o que fiz
e poder sentar-me sozinha,
pensar como fui muito feliz.
Quero poder
ter a certeza
que minha vida não foi em vão,
para poder acabar em beleza,
sem ter vivido em solidão.
Dora
Rodrigues
Parnaíba, 25
de janeiro de 2025
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