Porque os relacionamentos importam?
Vamos conversar sobre relacionamentos, aplicados à vida da pessoa idosa?
A cartilha – Educação para o envelhecimento, fruto da
disciplina de Psicogerontologia da Universidade Federal do Pará – UFPA, faz uma
abordagem sobre – Amizade e Envelhecimento, que diz:
O bem-estar na velhice está relacionado a diversos fatores
socioambientais, como a interação com outras pessoas e atividades em grupo. Como
qualquer pessoa, os idosos necessitam de seus lazeres e prazeres, ter a
liberdade de sair, comunicar-se com seus vizinhos, ter a autonomia de praticar
suas atividades e ter uma vida saudável e feliz. A privação prejudica o
convívio social e, por muitas vezes, até a saúde do idoso.
A Profa. Dra. Thais Bento Lima-Silva, Gerontóloga formada
pela Universidade de São Paulo (USP), https://metodosupera.com.br/
assina o artigo Relações sociais e amizade na velhice: reflexões.
À medida que avançamos em idade, a importância das amizades
e das interações sociais se torna ainda mais evidente. As relações sociais
desempenham um papel crucial em todas as fases da vida, mas na velhice, sua
relevância ganha ainda mais destaque. As relações sociais, principalmente
através da família e o contato com outras pessoas, são muito importantes na
saúde da pessoa idosa. É claro que a qualidade das relações sociais prevalece
sobre a quantidade. Ter um círculo íntimo de amigos com quem se pode contar e
compartilhar experiências se mostra mais benéfico do que uma rede social vasta,
mas superficial. Realizar atividades em grupo, como aulas de arte, dança, yoga,
jogos de tabuleiro ou clubes de leitura, (exercícios físicos) proporciona
oportunidades para conhecer pessoas com interesses similares, facilitando o estabelecimento
de vínculos significativos; fazer parte de programas de voluntariado
permite que os idosos se sintam úteis e conectados à comunidade, ao mesmo tempo
em que contribuem para causas importantes; Participar de aulas de educação
continuada ou palestras incentiva o aprendizado contínuo e cria espaço para
discussões e interações entre os participantes.
Algumas instituições de ensino superior brasileiras
oferecem cursos e oficinas gratuitas, online, para pessoas com mais de 60 anos.
Frequentar grupos de apoio para temas específicos, como
gerenciamento de saúde, perda de entes queridos ou transições de vida,
proporciona um ambiente seguro para as pessoas idosas compartilharem
experiências e desafios. Sair com os amigos para locais que gostam e se sintam
confortáveis, como shopping, cinema, parque, museu, teatro, entre outros,
permite que os idosos possam se encontrar informalmente, conversar e se
divertirem.
Dr. Drauzio Varella, vídeo intitulado - Amizade de baixa
manutenção – diz que os amigos são extremamente importantes para: Compartilhar
a vida; Viver conjuntamente momentos bons; Oferecer apoio em momentos ruins. Sem
um suporte de pessoas em quem a gente confia, pode surgir a ansiedade,
insegurança e medo, que pode alterar diretamente, a saúde mental e física. A
solidão pode acelerar o declínio cognitivo (capacidade de perceber, raciocinar
e armazenar informações) e acelerar o risco de demência (perda de memória,
raciocínio, linguagem e comportamento, afetando a capacidade de realizar
atividades diárias). Drauzio Varella. Solidão também gera estresse, que
contribui com o surgimento de doenças cardiovasculares e o sedentarismo. O sono
pode ser afetado por causa dos pensamentos incessantes e falta de atividade
durante o dia. Procurar atividade que possibilite encontrar com outras pessoas,
cercar-se de pessoas queridas faz bem e é essencial para a saúde.
Pesquisa realizada pela Unicamp em 2023 – entrevistou cerca
de 8 mil pessoas idosas e perguntou: com que frequência você se sente sozinho?
Quase 17% respondeu sempre e mais de 30% responderam algumas vezes.
Segundo, John Donne, poeta e pregador inglês:
Nenhum homem é uma ilha, Isolado de si mesmo.
Cada homem é um pedaço do continente, Parte de um todo.
Segundo os pesquisadores de Harvard - A solidão dói. Tem
efeito físico no corpo e está associada a menor resistência à dor, supressão do
sistema imunológico, função cerebral diminuída e sono menos eficaz. A pessoa
solitária fica mais cansada e irritadiça.
Eu trago, como dica de leitura o livro de onde retirei
algumas pinceladas - Uma boa vida – como viver com mais significado e
realização. O livro é baseado num estudo que Harvard realiza há mais de 80
anos, sobre o desenvolvimento adulto. O mais longo já realizado sobre a
felicidade. E esse estudo aponta que todos os tipos de relacionamentos –
amizades, parcerias românticas, família, colegas de trabalho, etc. – contribuem
para criar uma percepção de maior satisfação com a vida. Robert Waldinger é
professor de psiquiatria na Escola de Medicina de Harvard, além de outros
títulos e Marc Schulz Ph.D. em psicologia clínica pela Universidade da
Califórnia.
Pincei algumas perguntas feitas aos participantes do estudo
de Harvard que podem ajudar em nossa reflexão, acerca dos nossos
relacionamentos:
Para quem você telefonaria se acordasse assustado no meio da
noite?
A quem você recorreria num momento de crise?
Quem incentiva você a conhecer coisas novas, a arriscar-se,
a perseguir os objetivos de sua vida?
Quem sabe tudo (ou quase tudo) sobre você?
Quem faz você rir?
Quem faz você se sentir relaxado, acolhido, à vontade?
Com quem você pode realmente contar quando precisar de
ajuda?
Liste todas as pessoas que você conhece e com quem pode
contar.
O ponto essencial é que grupos de pessoas próximas,
acolhedoras, podem estar em qualquer lugar. O que importa não é apenas quem
consideremos família, mas o que os nossos relacionamentos mais próximos
significam para nós ao longo da vida. Um relacionamento, para ser valioso, não
precisa ser muito frequente ou íntimo. Alguns de nossos relacionamentos mais
benéficos podem ser com pessoas com quem não passamos muito tempo ou que não
conhecemos tão bem. Nosso estágio de vida tem muita influência sobre as
amizades que fazemos a importância que
lhes damos. Um novo amigo geralmente surge numa fase específica da vida e pode
nos ajudar a atravessar esse momento.
Somos sustentados por uma teia de relacionamentos que dão
sentido e alegria às nossas vidas.
Como diz, Emily Dickinson, poetisa americana, “Meus amigos
são minha “propriedade”. Perdoe-me então a avareza de acumulá-los”.
Dora Rodrigues
15 de fevereiro de 2025
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