Velhice e saúde mental

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como "um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de afecções ou enfermidades". 

Se você acha que saúde mental na velhice é simplesmente evitar doenças mentais, está enganado. Saúde mental inclui a capacidade de lidar com as mudanças que ocorrem com o envelhecimento, (e que sabemos não são poucas), a manutenção de relacionamentos significativos (família, amigos) e a busca por atividades que tragam sentido à vida. 

O envelhecimento, por si só, pode trazer diversos desafios para a saúde mental, como:

ü  Isolamento social: que pode se dar a partir da aposentadoria, (compulsoriamente a pessoa se vê afastada do ambiente de trabalho), a perda de entes queridos, as dificuldades de locomoção, aumentando o risco de depressão e ansiedade. 

ü  Doenças crônicas: condições de saúde que persistem por um período prolongado e podem exigir cuidados contínuos, gerando  estresse, angústia e dificuldades para manter a independência e a qualidade de vida. 

ü  Perda de memória e cognição: que é a capacidade de adquirir conhecimento e compreender o mundo, por meio de processos mentais: essas dificuldades de memória podem afetar a autoestima e a segurança, causando ansiedade e depressão.

ü  Mudanças no corpo: As alterações físicas (há pessoas que não  se reconhecem ao olhar no espelho), e a redução da capacidade funcional podem gerar sentimentos de tristeza, frustração e perda de identidade. 

ü  Necessidade de se adaptar a novas rotinas: a mudanças de ambiente pode gerar estresse e ansiedade.

Para promover a saúde mental na velhice, é importante adotar um enfoque preventivo e de cuidado, daí estarmos insistindo nesse assunto.

ü  Apoio social: Manter vínculos familiares e sociais, participar de grupos de atividades e buscar apoio de amigos e familiares é fundamental para combater o isolamento e promover a sensação de pertencimento. 

ü  Atividade física: A prática regular de atividades físicas, como caminhadas, natação ou dança, ajuda a reduzir o estresse, melhora o humor e aumenta a energia. 

ü  Alimentação saudável: Uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes, contribui para a saúde física e mental, reduzindo o risco de doenças crônicas e melhorando o humor. 

ü  Estímulo mental: Atividades que estimulam a mente, como leitura, jogos de memória, palavras-cruzadas e a aprendizagem de novas habilidades, ajudam a manter a função cognitiva e a combater a depressão. 

ü  Cuidados com a saúde física: A busca por cuidados médicos regulares, o acompanhamento de doenças crônicas e a adesão ao tratamento são essenciais para garantir a saúde física e mental. 

ü  Apoio profissional: Em caso de dificuldades, é importante buscar apoio de profissionais de saúde mental, como psicólogos, psiquiatras ou terapeutas, que podem ajudar a lidar com as questões emocionais e a desenvolver estratégias de enfrentamento.

 

ü  Cuidado com o sono: Uma rotina de sono regular, com horários fixos para dormir e acordar, e a criação de um ambiente propício para o sono, como um quarto escuro e silencioso, são fundamentais para a saúde mental. 

Segundo o site geriatriacopacabana.com.br/blog/como-o-envelhecimento-afeta-a-saude-mental-e-emocional

Um dos problemas de saúde mental mais prevalentes entre os idosos é a depressão.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 13% da população entre os 60 e 64 anos de idade sofre de um dos problemas de saúde mental: a depressão. (E por que será?)

A pessoa idosa vive mais perda de familiares e amigos queridos, declínio da saúde física, aposentadoria, solidão e a falta de propósito ou significado na vida.

Muitas vezes, os idosos podem sentir-se isolados ou desvalorizados, especialmente se estiverem lidando com a perda de papéis sociais significativos, como o trabalho ou o cuidado de familiares.

Além da depressão, a ansiedade também é comum entre os idosos. Preocupações com a saúde, preocupações financeiras, medo da morte e ansiedade em relação ao futuro podem se intensificar à medida que as pessoas envelhecem.

O isolamento social também é um grande contribuinte para a ansiedade, já que os idosos podem se sentir desconectados e menos capazes de lidar com os desafios da vida cotidiana.

Muitos idosos trazem na bagagem experiências emocionais fortes, muito sofridas, mas nem todos enfrentam problemas de saúde mental. No entanto, para aqueles que enfrentam dificuldades, incluir nos acesso a serviços de saúde mental, programas de apoio e intervenções psicossociais.

Existem maneiras de mitigar esses problemas e promover um envelhecimento saudável e gratificante.

Estimular o envolvimento em hobbies, voluntariado e educação continuada pode ajudar a manter a mente ativa e fortalecer o senso de propósito e autoestima.

Nosso cérebro passa por um processo natural de perda de células nervosas e massa cerebral, que pode afetar nossa capacidade de lembrar informações e formar novas memórias; dificuldade em lembrar detalhes específicos de eventos recentes ou passados, demora em recordar nomes, datas ou informações triviais. Importante distinguir entre a perda de memória considerada parte normal do processo de envelhecimento e a perda severa que pode indicar problemas de saúde mental mais sérios, como demência ou Alzheimer, porque a perda grave de memória pode afetar drasticamente a qualidade de vida e a capacidade de funcionamento independente.

É comum associar certas mudanças de comportamento, como esquecimento ocasional, tristeza ou irritabilidade, à idade avançada, quando na verdade podem ser indicativos de problemas de saúde mental subjacentes, como depressão ou ansiedade. Também é importante observar mudanças no comportamento, como isolamento social, alterações no sono ou no apetite, falta de energia e dificuldade de concentração. Os sintomas físicos como dores crônicas não explicadas, queixas somáticas frequentes e problemas gastrointestinais podem estar relacionados a condições de saúde mental e emocional, como depressão ou ansiedade.

Atividades recreativas, exercícios físicos supervisionados, terapia ocupacional e programas de estimulação cognitiva são exemplos de intervenções que podem contribuir significativamente para o bem-estar emocional dos idosos. Além de proporcionar diversão e entretenimento, essas atividades também ajudam a fortalecer a autoestima, o senso de realização e o senso de pertencimento dos idosos.

O apoio emocional fornecido por profissionais de saúde qualificados, como psicólogos e assistentes sociais, é fundamental para ajudar os idosos. Assim, eles vão aprender a lidar com essas questões de maneira saudável e construtiva, pois esses profissionais podem oferecer uma escuta ativa, orientação emocional e estratégias de enfrentamento dos seus sentimentos e preocupações.

Ao oferecer atividades adequadas, suporte emocional e assistência médica especializada, capacitamos os idosos a viver uma vida plena e gratificante, apesar dos desafios que possam surgir ao longo do caminho.

5 Dicas importantes:

  1. Praticar exercícios regularmente ajuda a reduzir o estresse e promove a sensação de bem-estar.
  1. Uma dieta equilibrada, rica em nutrientes, pode proteger contra condições como depressão e ansiedade.
  1. Interagir socialmente, seja em grupos ou com familiares, pode proporcionar apoio emocional e um senso de pertencimento.
  1. Participar de atividades desafiadoras pode manter a função cognitiva e promover a realização pessoal.
  1. Cuidados médicos regulares, incluindo gerenciamento de condições crônicas e apoio psicológico, são essenciais.

“A saúde mental da gente é mais importante do que a física. O corpo cicatriza mais rápido as partes doentes, mas a mente, essa demora muito mais tempo para se recuperar, e às vezes não se recupera nunca, pois há danos que são irrecuperáveis”. Lenilson Xavier

 

Dora Rodrigues

20 de abril de 2025




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